A cena

O futebol do final de semana nos proporciona mais do que um exercício. É o dia de colocar as tensões da semana, as incomodações da vida e tudo que é ruim pra fora. A turma discute, se xinga, falam barbaridades. Quem vê de fora, tem a nítida impressão de que 28 barris de pólvora estão prontos pra explodir, basta uma faísca...

Mas em todos esses anos, nunca brigamos (entre nós...). A coisa fica dentro de campo. Quando o jogo termina, todo mundo se abraça, riem uns da cara dos outros, falam um monte de besteiras e quem tá de fora não entende mais nada. Eram 28 homens que estavam prontos pra se matarem e agora deixam o campo dando risada...

Realmente, o futebol é algo impressionante.

Só que esse nosso “convívio sabadesco” proporciona mais do que simples histeria coletiva, alucinações (sim, tem gente que acha que é craque...) e gols! A turma proporciona coisas fantásticas, hilariantes, de pessoas sentarem-se pra assistir, e rir muito. Sim, nosso futebol de fim de semana tem público! Porque, acima de tudo, acontecem cenas dignas das melhores comédias mundiais.

Temos um ponta esquerda que está emprestado a um time nos EUA chamado Lucas, que assim como o Ronaldo Fenômeno, durante alguns anos jogou fora de forma. Pode-se dizer que em forma de barril, pra dar uma leve idéia ao leitor. Por isso despachamos ele e a namorada pros EUA, em troca de um jogo de coletes de treino com o clube americano...

Acontece que o Lucas sempre foi um dos maiores causadores da cizânia no futebol: Rouba no placar, escolhe os melhores pro time dele, sempre tem que sair com a bola (mesmo quando o time adversário toma gol...) e outras sem-vergonhices.

E como se isso não bastasse, enquanto fica parado no ataque, tece comentários do tipo “Olha só o Caetano... Não se olhou no espelho antes de sair de casa ou tá daltônico. Veio de meias vermelhas, calção azul e camisa amarela.”

Tudo bem se o cara fosse adversário... mas era do próprio time dele.

Bom, vamos aos fatos. Vira e mexe tem shows perto do nosso campo atual. Nesse sábado, casualmente, tinha show da “Sandy e Júnior”.

Só que não estamos nem aí pra nada no sábado, meu!

Sábado é o dia sagrado do nosso futebol! Discussão, xingamentos, gordos correndo mais que os magros, gols olímpicos e cenas tragicômicas!

Sem contar que temos um zagueiro cujo apelido é “Gardenal”. Sério!

Fato: A tarde começou com um sol de rachar! E no meio da tarde, caiu uma chuva-chuveiro... Aquela que tu tem a nítida impressão que tá embaixo de um.

Meu time contra o do Lucas... e, meu time no ataque. O Lucas tá perto do meio-campo, e vendo que a chuva tava amenizando, resolveu se secar.

Tirou a camisa, torceu, e largou na grama. Olhou pro calção, RESOLVEU TIRAR (olha só...), e torcer.

Só que enquanto ele torcia o calção, o time dele recuperou a bola, e deu um lançamento de uns 30 metros pra ele... que tava com a camisa na grama, torcendo o calção... de chuteira, meias e uma cueca branca que parecia um pára-quedas branco. Acho que a mãe dele usa Omo na máquina ou lava na mão.

Enfim, a cena que eu vou descrever, eu deixo na sua imaginação.

Imagine um gramado cuja lateral termina a uns 3 metros de uma avenida.

Imagine, nessa avenida, batedores da polícia escoltando umas 4 vans pretas e um ônibus, cuja lateral tinha um letreiro “Sandy e Júnior”.

E pra terminar, imagine um cara de 1,80m, na época com uns 100kg, dando um pique do papa-léguas nessa lateral, só de chuteiras, meias e... cueca.





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